sábado, 2 de novembro de 2013

Finados: Uma segunda chance

Fonte: faloutchau.com.br


Ele se foi e eu não tive tempo de me despedir. Não pudemos conversar e, mesmo que apenas eu falasse, ele não poderia mais me ouvir... Ele se foi e eu não soube o que ele planejava, os sonhos que tinha sobre o futuro e o que pretendia conquistar. Talvez, eu não estive presente como deveria, não o ouvi o suficiente, nem chorei com ele enquanto havia tempo. Agora é tarde demais...
Naquele domingo, à tarde, eu estava ocupada demais para visitá-lo. Resolvi deixar para vê-lo no domingo seguinte, mas o encontro nunca aconteceu... O presente que eu pretendia comprar para seu aniversário nunca saiu da loja e não pude ver a alegria em seus olhos quando o recebesse.
O velório foi – como na maioria – paradoxal: tantas pessoas presentes, gente que naquele dia teve tempo para ir vê-lo; gente que abriu mão de um compromisso, saiu mais cedo do trabalho ou faltou aula só para poder estar lá. Mas muitas dessas pessoas nunca o visitaram antes, não ligavam para saber como ele estava e (talvez) a maioria nem soubesse a data do seu aniversário. Então, foi paradoxal ver alguém que passou tantos aniversários sozinho ganhar, num só dia, tantas flores e visitas. Isso mexeu comigo...
Hoje, me arrependo... Arrependo-me por viver ocupada demais e não ter tido muito tempo para estar com ele; arrependo-me por não valorizar os pequenos instantes que tivemos juntos, vendo-os como se fossem os últimos, porque afinal foram, mas ninguém pensa nisso não é mesmo?. Eu me arrependo por não ter dito mais vezes que o amava e não ter me esforçado mais para que ele soubesse que isso era verdade.
O tempo não volta e eu não posso fazer mais nada com relação a ele, porque onde estiver, o que eu faço, não faz mais diferença. Sendo assim, que sentido tem o dia de “Finados”? Serve apenas para eu sentir tristeza e remorso pelo que não fiz ou perdi de quem tanto amava? NÃO! Eu acredito que esse dia não é apenas para lembrarmos dos que já se foram, mas principalmente para refletirmos sobre nossa conduta diante dos que ainda permanecem conosco; pensarmos que cada dia junto dos que amamos é uma segunda chance que temos de não perder as oportunidades que perdemos no passado. Hoje, podemos escolher fazer o que é realmente importante, antes que seja tarde demais...
Acredito, então, que mais importante que querer homenagear os que já se foram é fazer algo pelos que ainda estão conosco. Por isso, diga “Eu te amo” com mais frequência; durma meia hora a menos e use esse tempo conversando com um amigo; diga a sua mãe o quanto ela é importante para você; não dê presentes apenas em aniversários (pode não dar tempo...), pelo contrário, surpreenda quem você ama com presentes inesperados; não perca tanto tempo chateado com alguém porque depois você pode querer esse tempo de volta e não ter mais...
Enfim, faça que quem você ama saiba e sinta isso enquanto há vida, pois depois dela resta-nos apenas a lembrança do que fizemos ou deixamos de fazer.

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